domingo, 24 de abril de 2011

Direito de viver...

Reguei a terra árida com o suor que caia do meu rosto.
Eu precisava molhar a semente da esperança...
Hoje quem molha o chão são as lágrimas de desgosto.
A enxada abre meu peito, ferindo como lança...

O sol desenha no leito do rio sua arte.
A lama exposta rachada é fruto do descaso...
O solo está estéril como o planeta marte.
Tudo virou poeira: a vida virou um mero acaso!

As plantações morreram no solo, antes de nascer.
Nelas havia muito mais que desejo de matar a fome.
Ali eu plantei o direito de ser livre e assim viver...

Eu queria ser gente e acabei virando esse lobisomem.
Um ser transitório que negaram o direito de saber:
E por não saber, sobrevivo tentando matar o que me consome.


Miguel Rodrigues de Oliveira Filho

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O amor

O amor

O amor pode ser trágico como a morte,
Mas maravilhoso como o nascimento de uma criança.
Pode trazer ou destruir toda a sorte.
Ser repleto de alegria e felicidade ou só de esperança.

Ele pode vir com tristeza e muita escuridão,
Mas também inundar tudo em sua volta de luz.
Pode preencher o vazio: destruir a solidão.
Nos jogar na lama ou ser a energia que conduz...

Ser a vela acesa no meio da noite escura,
Ou a tempestade que naufraga a vida.
Mudar uma alma triste em anjo de candura.

Cicatrizar a mais profunda e amarga ferida.
Afastar do coração rancor: deixando ternura.
Porque o amor tem o poder e devolver a vida!

Miguel Rodrigues de Oliveira Filho

Solidão

A pior solidão não é quando falta pessoas por perto, mas tão somente aquela quando sinto ausência de mim. Nos momentos que a minha mente viaja e não encontra respostas, quando sinto que estou caindo em um vazio sem início e sem fim: um verdadeiro buraco negro, quando a alma deixa o corpo e se perde em labirintos indecifraveis, cheios de mistérios que a razão não define e nem o coração sente.

Miguel Rodrigues de Oliveira Filho

Andanças

Andanças

Andei pelos caminhos mais obscuros.
Cruzei passarela e pontes...
E quando os horizontes pareciam escuros,
Encontrei várias fontes...

Descobri que havia esperança,
Que a água viva estava na palavra...
Que eu poderia voltar a ser criança...
Que o destino era de minha lavra!

Descobri o amor em um gesto
E que um gesto pode destruir.
Que sorri pode ser um protesto...
Que acordamos na hora de partir.


Miguel Rodrigues de Oliveira Filho

Nem tudo está perdido

Nem tudo está perdido

O sol ainda surge trazendo as cores.
As flores ainda abrem enchendo de perfume...
Esqueçam as tristezas, pois trazem dores...
Faça do que não presta um monte de estrume:

Jogue sobre a terra e alimente a planta...
Não pense que tudo está perdido.
Lembre-se que nem todo animal é anta.
Assim como nem todo jardim é florido.

E assim como há os jardins de pedra no Japão...
Há os corações que se fazem duro.
Mas a água vai aos poucos penetrando no chão:
Com os anos abrindo cavernas no obscuro.

Nem tudo estará longe do nosso alcance.
Tudo depende da nossa coragem de fazer...
Como jogador que define em um lance...
Deus nos criou à sua maneira de amar e ser.


Miguel Rodrigues de Oliveira Filho

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Se o amor se vai...

Quado o amor se vai,
A vida fica cinzenta.
Nada mais nos atrai:
A dor arrebenta.

Em seu lugar um vazio
Os dias passam lentos
Escorrendo como rio:
turvos  pensamentos.

E vem a solidão.
Com ela a tristeza.
Além da depressão...

Se esvaiu a sutileza
Junto foi a emoção.
Adeus dona beleza!

Miguel Rodrigues de oliveira Filho