domingo, 24 de abril de 2011

Direito de viver...

Reguei a terra árida com o suor que caia do meu rosto.
Eu precisava molhar a semente da esperança...
Hoje quem molha o chão são as lágrimas de desgosto.
A enxada abre meu peito, ferindo como lança...

O sol desenha no leito do rio sua arte.
A lama exposta rachada é fruto do descaso...
O solo está estéril como o planeta marte.
Tudo virou poeira: a vida virou um mero acaso!

As plantações morreram no solo, antes de nascer.
Nelas havia muito mais que desejo de matar a fome.
Ali eu plantei o direito de ser livre e assim viver...

Eu queria ser gente e acabei virando esse lobisomem.
Um ser transitório que negaram o direito de saber:
E por não saber, sobrevivo tentando matar o que me consome.


Miguel Rodrigues de Oliveira Filho

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