domingo, 26 de junho de 2011

Mágma

Magma

Tento descrever quem sou, mas as palavras fogem como poeira galopando no vento, porque há horas que sou um ice-berg à deriva, sem saber qual a direção, deixando me levar pela correnteza desse instante, frio e alheio ao mundo que está em volta e, repentinamente, tão rápido como um relâmpago que cruza a noite escura, me transformo em um leito de magma, cuja cor rubra efervescente é capaz de, apesar de lindo, destruir tudo que encontra em seu caminho. Mas ao passar a explosão, os sentimentos vão se solidificando e formando uma ilha no meu peito que estar rodeado de emoções, de vida, como os corais que enfeitam os arrecifes no meio desse oceano de ilusões.
Sou ao mesmo tempo a certeza da morte, mas também a incerteza da hora de sua chegada. Sou o punhal que rasga o ventre, mas a mão que ampara a fera ferida. Sou a ansiedade de chegar, mas também a beleza da partida, cheia de esperança e de fé num encontro de um dia melhor.
Sou um paradoxo ambulante que, de esquina em esquina, encontro respostas, mas também interrogações e, cada fez mais me aprofundo na certeza de que nada sei e jamais vou saber, porque a graça da vida está na incerteza do amanhã e na ignorância do conhecimento...

Miguel Rodrigues de Oliveiar Filho

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